A Mafalda era uma menina de oito anos que, nos
intervalos, estava sempre sozinha. Sempre que se observava a Mafalda
encontrava-se no mesmo sítio de sempre, no banco do jardim de costas para o
campo de futebol, de lado estavam as meninas a brincar no parque, mas esta
preferia ficar ali, a olhar para o horizonte. As restantes crianças não
costumavam convidá-la para brincar, deixavam-na ir para aquele sítio e, de vez
em quando, gozavam com ela quando algo acontecia. Mafalda era uma criança à
parte das outras crianças.
Um dia entrou uma menina nova para a escola, Leila.
Natural de Angola, Leila era uma menina, ao contrário de Mafalda muito
extrovertida, e assim que as aulas começaram a Leila começou a conversar com os
colegas, pelo que a primeira com quem ela falou foi com Mafalda:
-Olá, sou nova aqui. Sou a Leila e tu? – Mafalda fitou
a nova colega, e com um sorriso escondido respondeu
– Sou a Mafalda.
Mafalda e Leila começaram ali uma amizade e, apesar
disso, aquele banco do recreio nunca deixara de ser o seu sítio preferido para
brincar. Leila tentou também fazer outras amizades mas, alguns dos seus
colegas, começaram a ter atitudes racistas ao colocá-la de parte em certas
brincadeiras. Leila ficava triste mas sabia que havia uma amiga que, apesar de não
perceber o porquê de não brincar com os outros meninos, nunca a abandonava.
Certo dia na aula de Português, a professora ergueu um
livro “A menina do laço amarelo” e perguntou quem dos alunos já tinha lido ou
ouvido falar. Mafalda foi a única a levantar o braço, pelo que a professora
pediu:
-Então este vai ficar um segredo entre nós sim? Não
vais contar a história aos teus colegas, pois primeiro vamos fazer um desenho.
A professora pediu a cada menino para desenhar a menina do laço amarelo para
que, antes de conhecerem a história dessem asas à sua imaginação e imaginassem
como seria a menina do livro…
Quando todos acabaram de fazer o desenho a professora
começou a contar a história. A Mafalda, que apesar de já saber a história, ouvia-a
como se fosse pela primeira vez, estava maravilhada. A professora deambulava
pela sala a contar a história e Mafalda fitava, atentamente, cada passo que
dava. No intervalo Leila começou a chorar e Mafalda reparando perguntou-lhe,
muito assustada:
- Que tens Leila? – Leila não lhe deu resposta, mas
Mafalda iria fazer de tudo para descobrir a razão.
Durante esse dia, Leila afastou-se de Mafalda como
todos os outros meninos da sua escola, mas mesmo sozinha sentada no seu
cantinho, ela ia espreitando pelo cantinho do olho para Leila e via-a a chorar.
Mafalda percebeu que aquele comportamento tinha que ver
com o livro mas não conseguia compreender o quê. O facto é que nunca tinha
visto a sua amiga assim, e sabia que ela estava diferente consigo. Decidiu ir
ter com a professora, e pedir-lhe emprestado o livro. Mesmo conhecendo e
gostando tanto do livro, sabia que havia algo nele que tinha provocado aquela
tristeza a Leila, e tinha que descobrir o que era.
Mafalda preocupada com a amiga leu e releu aquele
livro…. Até que se apercebeu que a menina do Laço Amarelo da história do livro,
era de raça negra como Leila e tinha sido discriminada pelos seus amigos na
escola.
Ao se aperceber disto, e visto que quem causou aquela
tristeza a Leila foi a história do livro, Mafalda foi buscar tinta castanha e
pintou a cara e as mãos, de seguida foi ter com a sua amiga.
Ao vê-la assim disfarçada, Leila que continua a chorar
parou de repente e secou as lágrimas, com ar de admirada perguntou a Mafalda:
- Porque estás assim? Que te aconteceu? Estás toda suja!
Mafalda sorriu-lhe e pediu que esta a seguisse. Deram
as mãos e foram para junto das outras crianças que estavam a brincar no recreio.
Estas receberam bem as meninas e todos começaram a brincar.
Alguns dias depois, Mafalda já brincava com as outras
crianças e Leila nunca viveu com medo de ser discriminada pelos amigos.
Por favor, gostei muito dessa história, pois tenho que contar uma história parecida com a menina do laço de fita, e acho que essa encaixa perfeitamente. como vou confeccionar o livro, preciso saber quem é o autor dessa história.
ResponderEliminarEu Palmira Raquel Caridade Silva, a autora do texto, aos 14 anos.
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