domingo, 15 de dezembro de 2013

"As Identidades"

Todos nós temos algo que nos diferencia dos outros, o que nos torna únicos. Todos nós temos um nome, temos um rosto, temos uma língua, uma nacionalidade, e através destas características conseguimos ser diferentes dos outros.
Contudo, também temos características ou aspetos da nossa vida semelhantes aos outros. Todos nós já fomos alunos em algum momento da nossa vida, independentemente do tempo que o fomos, já tivemos inseridos num grupo de trabalho, derivado da situação profissional. Ou seja, ao mesmo tempo que temos algo que nos distingue dos outros, também temos coisas que nos aproximam dos outros, para que nos sintamos pertencentes a grupos de uma sociedade.
Desta forma, podemos concluir que aquilo que nós somos, a nossa identidade, faz parte de um processo que é construído ao longo da nossa vida e que resulta da nossa relação com os outros e com o meio onde estamos inseridos. São estes que nos influenciam na nossa forma de pensar, agir e sentir.
Sendo um processo que vai sendo construindo ao longo da vida, importa nesse sentido, compreendê-lo a partir do momento em que se é criança.
Partindo da escola como agente de socialização, onde as crianças começam a estabelecer as suas primeiras relações com outras crianças de idade semelhante, importa compreender o papel que a escola ocupa na educação e consciencialização das diferenças étnicas e culturais. Neste contexto, cabe aos professores valorizar as diferenças étnicas e culturais dos seus alunos, para que estes reconheçam essas diferenças e que as respeitem. Ao estarem consciencializados para as diferenças, que não são mais do que características que distinguem os indivíduos, estas encontram-se mais preparados para que no futuro consigam mais facilmente estabelecer relações com os outros, aquando da integração na sociedade.
Ao valorizar as diferenças e as suas implicações, o professor prepara as crianças para a vida na sociedade, e para as relações interculturais, o que pode conduzir à desmistificação de preconceitos e descriminações futuras. Se as crianças já foram preparadas para a existência das diferenças, se já possuem esse conhecimento prévio, conseguem mais facilmente compreendê-las e sucessivamente não cair na tentação de avaliar e construir juízos dos outros, consoante as suas culturas, tomando a sua cultura e etnia como superior.
A identidade cultural e étnica diz respeito a um processo longo que passa por três fases: a identidade étnica, a identidade nacional e por fim a identidade global.
A identidade étnica distingue-nos dos outros, como pertencentes a um grupo social formado por pessoas da mesma etnia, com valores, normas e hábitos comuns. Numa segunda escala temos a identidade nacional, que engloba várias identidades étnicas, mas que diferencia nação para nação. Contudo, as ações que são praticadas numa nação têm impacto e repercussões não apenas nessa nação, mas no mundo. E é neste sentido, que as crianças devem ser consciencializadas para a existência de uma diversidade cultural e de identidades no mundo. Essa diversidade é que faz com que o mundo seja tão rico e encantador, pela diversidade de histórias culturais, hábitos, línguas, formas de estar, de pensar, tudo isto são características próprias de diferentes culturas e que todas elas permitem construir uma identidade global.
Para comprovar a necessidade de reconhecer as diferenças étnicas existentes pelo mundo, o autor faz uma comparação com uma simples salada. Chamando-nos a atenção para o facto de esta, para ser saboreada e apreciada, importa termos conhecimento de todos os ingredientes que a constituem. Da mesma forma, quando olhamos para o “mundo” não podemos desvalorizar as diferenças e as diferentes nações, pelo contrário, são as suas diferenças que enriquecem o mundo no qual vivemos.
Devemos reconhecê-lo como resultado de diferentes identidades, com características próprias em que cada indivíduo é único e indestrutível, mas ao mesmo tempo, possui identidades que partilham de características semelhantes que nos permite formar grupos.  
No seguimento, o autor chama-nos a atenção para a eventual atribuição de crimes, factos e opiniões coletivas sobre pessoas de culturas diferentes das nossas. Cada indivíduo enquanto membro de uma sociedade e inserido numa cultura tem características que lhe são próprias, que o distinguem dos outros. E torna-se um erro fatal avaliarmos os outros baseados em generalizações, e que podem, como o autor diz, terminar em “sangue”. Este sangue é o resultado do desrespeito e intolerância face às diferenças e à tomada de culturas como superiores.

Segundo o autor, "As nossas palavras não são inocentes e contribuem para perpetuar preconceitos que demonstram ser, ao longo da História, perversos e assassinos. Porque é o nosso olhar que aprisiona muitas vezes os outros nas suas pertenças mais estreitas e é também ele que tem o poder de os libertar." Isto mostra que somos nós que muitas vezes construímos imagens distorcidas sobre os outros, e cabe-nos a nós libertarmo-nos dessas imagens e construções formadas por nós, para conhecermos os outros e os valorizarmos e respeitarmos.  


Realizado por: Ana Filipa Bento

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