Todos nós temos algo que nos diferencia dos outros, o que nos
torna únicos. Todos nós temos um nome, temos um rosto, temos uma língua, uma
nacionalidade, e através destas características conseguimos ser diferentes dos outros.
Contudo, também temos características ou aspetos da nossa
vida semelhantes aos outros. Todos nós já fomos alunos em algum momento da
nossa vida, independentemente do tempo que o fomos, já tivemos inseridos num
grupo de trabalho, derivado da situação profissional. Ou seja, ao mesmo tempo
que temos algo que nos distingue dos outros, também temos coisas que nos
aproximam dos outros, para que nos sintamos pertencentes a grupos de uma
sociedade.
Desta forma, podemos concluir que aquilo que nós somos, a nossa
identidade, faz parte de um processo que é construído ao longo da nossa vida e
que resulta da nossa relação com os outros e com o meio onde estamos inseridos.
São estes que nos influenciam na nossa forma de pensar, agir e sentir.
Sendo um processo que vai sendo construindo ao longo da vida,
importa nesse sentido, compreendê-lo a partir do momento em que se é criança.
Partindo da escola como agente de socialização, onde as
crianças começam a estabelecer as suas primeiras relações com outras crianças de
idade semelhante, importa compreender o papel que a escola ocupa na educação e
consciencialização das diferenças étnicas e culturais. Neste contexto, cabe aos
professores valorizar as diferenças étnicas e culturais dos seus alunos, para
que estes reconheçam essas diferenças e que as respeitem. Ao estarem
consciencializados para as diferenças, que não são mais do que características
que distinguem os indivíduos, estas encontram-se mais preparados para que no
futuro consigam mais facilmente estabelecer relações com os outros, aquando da
integração na sociedade.
Ao valorizar as diferenças e as suas implicações, o professor
prepara as crianças para a vida na sociedade, e para as relações
interculturais, o que pode conduzir à desmistificação de preconceitos e descriminações
futuras. Se as crianças já foram preparadas para a existência das diferenças,
se já possuem esse conhecimento prévio, conseguem mais facilmente
compreendê-las e sucessivamente não cair na tentação de avaliar e construir
juízos dos outros, consoante as suas culturas, tomando a sua cultura e etnia
como superior.
A identidade cultural e étnica diz respeito a um processo
longo que passa por três fases: a identidade étnica, a identidade nacional e
por fim a identidade global.
A identidade étnica distingue-nos dos outros, como
pertencentes a um grupo social formado por pessoas da mesma etnia, com valores,
normas e hábitos comuns. Numa segunda escala temos a identidade nacional, que
engloba várias identidades étnicas, mas que diferencia nação para nação.
Contudo, as ações que são praticadas numa nação têm impacto e repercussões não
apenas nessa nação, mas no mundo. E é neste sentido, que as crianças devem ser
consciencializadas para a existência de uma diversidade cultural e de
identidades no mundo. Essa diversidade é que faz com que o mundo seja tão rico
e encantador, pela diversidade de histórias culturais, hábitos, línguas, formas
de estar, de pensar, tudo isto são características próprias de diferentes
culturas e que todas elas permitem construir uma identidade global.
Para comprovar a necessidade de reconhecer as diferenças
étnicas existentes pelo mundo, o autor faz uma comparação com uma simples
salada. Chamando-nos a atenção para o facto de esta, para ser saboreada e
apreciada, importa termos conhecimento de todos os ingredientes que a
constituem. Da mesma forma, quando olhamos para o “mundo” não podemos
desvalorizar as diferenças e as diferentes nações, pelo contrário, são as suas
diferenças que enriquecem o mundo no qual vivemos.
Devemos reconhecê-lo como resultado de diferentes
identidades, com características próprias em que cada indivíduo é único e
indestrutível, mas ao mesmo tempo, possui identidades que partilham de
características semelhantes que nos permite formar grupos.
No seguimento, o autor
chama-nos a atenção para a eventual atribuição de crimes, factos e opiniões
coletivas sobre pessoas de culturas diferentes das nossas. Cada indivíduo
enquanto membro de uma sociedade e inserido numa cultura tem características
que lhe são próprias, que o distinguem dos outros. E torna-se um erro fatal
avaliarmos os outros baseados em generalizações, e que podem, como o autor diz,
terminar em “sangue”. Este sangue é o resultado do desrespeito e intolerância
face às diferenças e à tomada de culturas como superiores.
Segundo o autor, "As
nossas palavras não são inocentes e contribuem para perpetuar preconceitos que
demonstram ser, ao longo da História, perversos e assassinos. Porque é o nosso
olhar que aprisiona muitas vezes os outros nas suas pertenças mais estreitas e
é também ele que tem o poder de os libertar." Isto mostra que somos nós
que muitas vezes construímos imagens distorcidas sobre os outros, e cabe-nos a
nós libertarmo-nos dessas imagens e construções formadas por nós, para
conhecermos os outros e os valorizarmos e respeitarmos.
Realizado por: Ana Filipa Bento
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