O
discurso de Chimamanda Adichie leva-nos a refletir sobre o impacto que as
histórias únicas exercem sobre nós e na forma como a tomamos como verdadeiras e
certas, sem termos contato e conhecimento real sobre elas.
Não existem dogmas nem verdades indescritíveis sobre um povo, país ou cidade.
Ela
chama-nos à atenção pelo fato de pensarmos que conhecemos uma realidade, apenas
porque nos contaram ou fizeram acreditar que essa realidade corresponde à
verdade. E isto acontece porque o ser humano é um ser que facilmente é
influenciado pela opinião dos outros. Enquanto indivíduos que integram numa
sociedade, estamos constantemente a alterar a nossa forma de agir, pensar e
sentir, e isso resulta da influência e interação que temos com os outros.
E
neste sentido, muitas vezes, acreditamos que o conhecimento que temos é o real,
e não é mais do que deduções e construções baseadas em generalizações. A partir
de um caso, generalizamos e acreditamos que isso é aplicado a u povo ou país na
sua generalidade. E desta forma, o pensamento e ideia que temos sobre eles é certo.
Todos
nós ouvimos constantemente histórias de coisas que acontecem noutros países,
como guerras, crimes, manifestações, e formamos juízos acerca das pessoas e desses
sítios, tendo em conta o que os media nos transmitem.
Contudo,
o Homem como ser que está em constante aprendizagem e procura de mais
conhecimento, não deve ficar “agarrado” a ideias pré-concebidas. Deve ele
próprio ir à procura das respostas. O
que nos remete para outro problema, a criação e construção de estereótipos e
preconceitos sobre culturas diferentes da nossa. Avaliamos os outros com base
na nossa própria cultura e valores, e muitas vezes, isso faz-nos ser pouco
tolerantes face ao que é diferente da nossa e do que acreditamos ser certo.
Neste
contexto, a criação de uma única história, remonta-nos para um espaço, onde não
é permitido a aquisição de novos conhecimentos sobre ela. Segundo Adichie, ao
criarmos uma história única, “mostra-se um povo como sendo uma coisa, somente
isso, de forma repetida, e será nisso que elas se tornam”. Ou seja, nós
acreditamos naquilo que nos contam, e se contarem repetidamente, começamos a
interiorizá-las como verdadeiras. Pois se a única coisa que sabemos sobre um
povo é aquilo que nos contam, torna-se para nós a realidade.
A
história única não é mais do que uma história exercida pelo poder, onde uns têm
o “poder” de contá-la, como querem, por quem, quando e quantas vezes querem.
Poder não é fazer a história, mas fazer dessa história, a única história.
A
história única cria estereótipos. Ao ser contada de uma única forma, há coisas
sobre essa realidade que não é contada, ou seja, o problema dos estereótipos
não é o facto de contarem mentiras, mas contarem uma história que não está
completa. Adichie refere-se a África e aos países Africanos como um continente
sujeito a constantes preconceitos. Trata-se de um continente rico em paisagens,
e coisas boas que não são faladas nem contadas, daí que as pessoas não as reconheçam.
Quando se fala nele, mostra-se apenas os aspetos maus, caracterizado por
guerras e pobreza, e é essa ideia com que as pessoas ficam sobre ela. Trata-se
de algo verdadeiro, mas incompleto. Por isso, é que ela compreendeu a atitude
da companheira de quarto, quando esta pensava que na Nigéria não se falava
Inglês.
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