domingo, 15 de dezembro de 2013

“O Perigo de uma História Única”

O discurso de Chimamanda Adichie leva-nos a refletir sobre o impacto que as histórias únicas exercem sobre nós e na forma como a tomamos como verdadeiras e certas, sem termos contato e conhecimento real sobre elas.
Não existem dogmas nem verdades indescritíveis sobre um povo, país ou cidade.
Ela chama-nos à atenção pelo fato de pensarmos que conhecemos uma realidade, apenas porque nos contaram ou fizeram acreditar que essa realidade corresponde à verdade. E isto acontece porque o ser humano é um ser que facilmente é influenciado pela opinião dos outros. Enquanto indivíduos que integram numa sociedade, estamos constantemente a alterar a nossa forma de agir, pensar e sentir, e isso resulta da influência e interação que temos com os outros.
E neste sentido, muitas vezes, acreditamos que o conhecimento que temos é o real, e não é mais do que deduções e construções baseadas em generalizações. A partir de um caso, generalizamos e acreditamos que isso é aplicado a u povo ou país na sua generalidade. E desta forma, o pensamento e ideia que temos sobre eles é certo.
Todos nós ouvimos constantemente histórias de coisas que acontecem noutros países, como guerras, crimes, manifestações, e formamos juízos acerca das pessoas e desses sítios, tendo em conta o que os media nos transmitem.
Contudo, o Homem como ser que está em constante aprendizagem e procura de mais conhecimento, não deve ficar “agarrado” a ideias pré-concebidas. Deve ele próprio ir à procura das respostas.  O que nos remete para outro problema, a criação e construção de estereótipos e preconceitos sobre culturas diferentes da nossa. Avaliamos os outros com base na nossa própria cultura e valores, e muitas vezes, isso faz-nos ser pouco tolerantes face ao que é diferente da nossa e do que acreditamos ser certo.
Neste contexto, a criação de uma única história, remonta-nos para um espaço, onde não é permitido a aquisição de novos conhecimentos sobre ela. Segundo Adichie, ao criarmos uma história única, “mostra-se um povo como sendo uma coisa, somente isso, de forma repetida, e será nisso que elas se tornam”. Ou seja, nós acreditamos naquilo que nos contam, e se contarem repetidamente, começamos a interiorizá-las como verdadeiras. Pois se a única coisa que sabemos sobre um povo é aquilo que nos contam, torna-se para nós a realidade.
A história única não é mais do que uma história exercida pelo poder, onde uns têm o “poder” de contá-la, como querem, por quem, quando e quantas vezes querem. Poder não é fazer a história, mas fazer dessa história, a única história.
A história única cria estereótipos. Ao ser contada de uma única forma, há coisas sobre essa realidade que não é contada, ou seja, o problema dos estereótipos não é o facto de contarem mentiras, mas contarem uma história que não está completa. Adichie refere-se a África e aos países Africanos como um continente sujeito a constantes preconceitos. Trata-se de um continente rico em paisagens, e coisas boas que não são faladas nem contadas, daí que as pessoas não as reconheçam. Quando se fala nele, mostra-se apenas os aspetos maus, caracterizado por guerras e pobreza, e é essa ideia com que as pessoas ficam sobre ela. Trata-se de algo verdadeiro, mas incompleto. Por isso, é que ela compreendeu a atitude da companheira de quarto, quando esta pensava que na Nigéria não se falava Inglês.

Por tudo isto, acho que devo terminar como a frase que Adichie utilizou no fim do seu discurso “quando rejeitamos uma única história, quando compreendemos que nunca existe apenas uma história sobre um lugar, nós reconquistamos, um tipo de paraíso”.



Realizado por: Ana Filipa Bento

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