Assim que paramos na Rua Martim Moniz foi curioso sentir o facto de ser eu a estar num outro país. Foi muito agradável ver a quantidade de pessoas de várias culturas naquela zona da cidade acompanhada com várias lojas e restaurantes sem ser portugueses.
Ao chegar ao CNAI (Centro Nacional de Apoio ao Imigrante) achei que ou o edifício foi bem construído naquela zona uma vez que à sua volta se encontravam os imigrantes da cidade (ou pelo menos foi aquilo que senti), ou então foi propositado ser naquele local uma vez que os imigrantes bem como a sua zona de comércio se encontrava ali.
Achei muito pertinente a existência deste centro, penso que é mesmo uma mais-valia para os imigrantes, sendo lhes permitida e dada toda a ajuda que eles precisam para serem integrados no país que, independentemente de não ser o deles, é aquele onde vivem de momento e por isso passa a ser deles também e têm direitos e deveres sobre o mesmo.
Outro aspeto que também achei ser muito bom foi o facto de decorrerem várias formações numa ala à parte da sala de espera onde enquanto esperam pela sua vez podem assistir a essas formações, é uma ótima maneira de passar o tempo de espera a aprender coisas que lhes pode ser muito útil.
O facto de o atendimento ser feito por pessoas também imigrantes, que falam várias línguas ajuda bastante a quem lá vai, para que tenha um bom encaminhamento consoante aquilo que necessitam, bem como existir uma linha SOS com pessoas que falam todas as línguas para uma situação de emergência a quem precisa num momento de se explicar e não consegue. É uma forma eficaz de se responder às necessidades dos imigrantes ou de qualquer um português que precise de se explicar numa loja de comércio imigrante, por exemplo.
Na hora de almoço, ao percorrer a Rua Martim Moniz, aquilo que vi assim que chegamos foi ainda mais obvio, a quantidade de pessoas imigrantes que existe naquela zona, entrar nas lojas de comércio, como por exemplo, numa mercearia chinesa, foi muito engraçado ver as diferenças relativamente às nossas, como o caso de não terem as massas e o arroz já embalados por quilos, ali era tirado de uma caixa para uma saca, dependendo daquilo que o cliente pretende. Na praça Martim Moniz, mais uma vez foi possível ver isso, uma vez que era repleta de dados característicos de outras culturas, como por exemplo o dragão característico no Japão, juntamente com pequenas lojas de comércio e restaurantes (Kebabs, por exemplo).
Na parte da tarde, ao visitar o Projeto IntendArte, suscitou-me grande interesse, uma vez que é uma área que me agrada bastante. Foi muito pertinente termos aquele tempo para falar sobre projetos e sobre o que é trabalhar naquela área, o perfil que deve ter o animador estando num projeto que envolva a interculturalidade.
Visitar o bairro da Mouraria, sem dúvida que, para mim, foi espetacular uma vez que me insiro na mesma área no meu estágio. No meu caso, ajudou-me a ter algumas ideias que posso incluir no mesmo, ideias muito giras que lá foram e estão a ser realizadas, que podem também ser realizadas no projeto onde estou inserida.
Foi “mágico”, ver como apenas ao percorrer o bairro, ver certos pormenores, conta a história do mesmo, das pessoas que lá vivem, das coisas que lá se fazem, do que lá se vive. Foi possível ter uma noção do que é ou pode ser viver com pessoas de várias culturas, uma vez que tínhamos como guia desta visita um jovem africano que nos ia contando tudo aquilo que queríamos saber seja do bairro como da maneira que lá se vive, as desavenças que existem, como é que as pessoas se relacionam, etc.
Numa maneira geral penso que foi muito gratificante esta visita de estudo, foi uma ótima maneira de termos uma noção do que é viver em interculturalidade, e que, como animadores podemos fazer muitas coisas para inserir imigrantes na sociedade, pois todos devem ser ajudados, independentemente da sua raça, cultura, valores, crenças, tal como dizia no CNAI quanto “Mais Nacionalidade, Melhor Humanidade” (ACIDI). Viver num mundo onde fossemos todos iguais não teria piada, somos todos diferentes mas ao mesmo tempo todos iguais, vivemos todos num único mundo, que é de todos nós, por isso todos nós temos o direito de usufruir do mesmo da melhor maneira.
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