domingo, 15 de dezembro de 2013

Livro "Adeus, Tsugumi"

“O enredo da obra é simples, não tendo muitas personagens e com histórias complexas. Maria Shirakawa é uma jovem que se vê, em dada altura, obrigada a mudar da sua terra natal, situada na península de Izu, para Tóquio, local onde se encontra o pai. Maria foi criada pela mãe e pelos tios na pensão Yamamoto, tendo crescido com as duas primas Yoko e Tsugumi. É precisamente esta última personagem o pilar central da história, sendo descrita por Maria, narradora do enredo, como um rapariga frágil, de saúde extremamente debilitada e com uma esperança média de vida encurtada. Devido à sua condição física, Tsugumi foi, ao longo do seu crescimento, mimada pelos familiares mais próximos, tendo, deste modo, desenvolvido uma personalidade incómoda, maldosa e egoísta, características criticadas no seio da sua comunidade. Ainda assim, Tsugumi é profundamente bela e persuasiva, traduzindo-se numa presença extremamente importante para Maria, a única pessoa que parece, aliás, compreendê-la.
Na verdade, este livro possui uma atmosfera muito quotidiana, sendo um retrato do dia-a-dia de jovens que se encontram em crescimento e que despertam para a fragilidade das emoções e vivências humanas. Não existe um objectivo claro e definido, um clímax ou um final de cortar a respiração; ao invés disso, Banana Yoshimoto conduz o leitor a um lugar de contemplação, senta-o à beira-mar e permite-lhe a observação do oceano, convidando-o a reflectir sobre a vida. Essas questões, porém, não são interrogações metafísicas, angústias provenientes dos recantos mais obscuros da alma. Adeus, Tsugumi é tão somente um leve retrato da clareza das emoções contado e descortinado a um passo suave, como o próprio desabrochar das flores de cerejeira ou a silenciosa ondulação de uma maré quase estagnada.
(…)Tudo se resume, no final, à conclusão de que Tsugumi é uma pessoa cuja personalidade pode ser entendida à luz da sua condição efémera. Com um tom contemplativo, a morte surge como elemento de nostalgia, e o Verão como pano de fundo para uma história que, tal como esta estação do ano, acaba por terminar e deixar um aroma de uma memória preciosa. Como é habitual neste tipo de enredos, são realizadas inúmeras referências a um futuro que será edificado pela existência das memórias de um Verão que já terminou, de odores e sensações encontradas ao virar da esquina, de um sorriso mascarado por uma dor que recorda a existência de algo que já partiu.”
Ao longo da obra, a autora faz referência sobre vários detalhes importantes sobre a cultura japonesa.



Realizado por: Ana Filipa Bento

Sem comentários:

Enviar um comentário