“O enredo da obra é simples, não tendo muitas personagens e com
histórias complexas. Maria Shirakawa é uma jovem que se vê, em dada altura,
obrigada a mudar da sua terra natal, situada na península de Izu, para Tóquio, local onde se
encontra o pai. Maria foi criada pela mãe e pelos tios na pensão Yamamoto,
tendo crescido com as duas primas Yoko e Tsugumi. É precisamente esta última
personagem o pilar central da história, sendo descrita por Maria, narradora do
enredo, como um rapariga frágil, de saúde extremamente debilitada e com uma esperança média de vida
encurtada. Devido à sua condição física, Tsugumi foi, ao longo do seu
crescimento, mimada pelos familiares mais próximos, tendo, deste modo,
desenvolvido uma personalidade incómoda, maldosa e egoísta, características
criticadas no seio da sua comunidade. Ainda assim, Tsugumi é profundamente bela
e persuasiva, traduzindo-se numa presença extremamente importante para Maria, a
única pessoa que parece, aliás, compreendê-la.
Na verdade, este livro possui uma atmosfera muito
quotidiana, sendo um retrato do dia-a-dia de jovens que se encontram em
crescimento e que despertam para a fragilidade das emoções e vivências
humanas. Não existe um objectivo claro e definido, um clímax ou um final de
cortar a respiração; ao invés disso, Banana Yoshimoto conduz o leitor a um
lugar de contemplação, senta-o à beira-mar e permite-lhe a observação do
oceano, convidando-o a reflectir sobre a vida. Essas questões, porém, não são interrogações
metafísicas, angústias provenientes dos recantos mais obscuros da alma. Adeus, Tsugumi é tão somente um leve retrato da
clareza das emoções contado e descortinado a um passo suave, como o próprio
desabrochar das flores de cerejeira ou a silenciosa ondulação de uma maré quase
estagnada.
(…)Tudo se resume, no final, à conclusão de que Tsugumi é
uma pessoa cuja personalidade pode ser entendida à luz da sua condição efémera.
Com um tom contemplativo, a morte surge como elemento de nostalgia, e o Verão
como pano de fundo para uma história que, tal como esta estação do ano, acaba
por terminar e deixar um aroma de uma memória preciosa. Como é habitual neste
tipo de enredos, são realizadas inúmeras referências a um futuro que será
edificado pela existência das memórias de um Verão que já terminou, de odores e
sensações encontradas ao virar da esquina, de um sorriso mascarado por uma dor
que recorda a existência de algo que já partiu.”
Ao longo da obra, a autora faz referência sobre vários
detalhes importantes sobre a cultura japonesa.
Realizado por: Ana Filipa Bento
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